domingo, 8 de março de 2009

O segredo sobre a cerveja brasileira


Certa vez escutei uma história de um sommelier amigo meu, uma pessoa que eu gosto muito e que tenho muito confiança, mas isso fazem muitos anos já. Pois bem, foi agora recém voltado da Europa que a minha revolta sobre os produtos que aqui nesse país são comercializados voltou com mais força.

Quero nesse post tentar desvendar esse segredo e também toda a mística que “brasileiro sabe tudo de cerveja” ou “ama cerveja” e todas essas bobagens de nossa grande mídia.

Mito: Europeu bebe cerveja quente!

Realidade: Mentira. Europeu bebe cerveja fria. E mais ainda: bebe cerveja boa. Cerveja maravilhosa. Cerveja que sobe de temperatura alguns graus depois de retirada e ainda permanece divina.

Realidade Brasil: É impossível fazer cerveja boa nesse país. Na verdade, a cerveja boa pode ser feita em qualquer lugar, o que não é possível é comercializar cerveja boa aqui. É inviável comercialmente. O povo precisa consumir cerveja certo!? Certo. Mas e o preço que nossa massa consumidora pode pagar? 1 real, 1,20 de real? Isso são centavos de euro ou de dólar. Tem como produzir cerveja barata para esse povo? Tem sim.

Pergunta: A cerveja pode ser boa por esse preço? Não, ela não pode!

O que acontece: tudo o de mais barato e de produção em massa é utilizado para produzir isso que se chamam de cerveja. O resultado é uma bebida incomum que não pode ser comparável a simplesmente nada que é bebido no primeiro mundo. Pois bem, mas como faremos para que o povo consuma isso?

Agora vem a teoria...

A gente adiciona uma série de elementos químicos na cerveja para baixar a temperatura de congelamento da mesma. Como todos sabem, os líquidos em geral congelam à ZERO grau centígrado. A cerveja não é diferente. As boas congelam a essa temperatura também. As “nossas” é que não! Já perceberam aqueles freezers grandes que estampam com todo o orgulho temperaturas negativas neles? Pois é.

A publicidade brasileira à décadas conta para nós que cerveja tem que ser bem gelada! E assim achamos que a cerveja é boa. O que acontece com a gente? Temperaturas negativas “anestesiam” a nossa língua. Ou seja, temos apenas uma leve sensação de gosto, mas na verdade a temperatura negativa MATA o nosso gosto e assim consumimos esse líquido que nos vendem.

Costumeiramente escutamos dizer que a cerveja está “choca”, ruim, muitas vezes comparando ela até com urina! Eu diria que todos estão certos. Assim que ela passa de certa temperatura, ela se torna inapta a matar a tua língua, desta forma, reconhecemos o real gosto delas.

Inventamos aparatos térmicos para ela não esquentar, usamos copos pequenos, tudo para continuar nos enganando. Na Inglaterra por exemplo as cervejas são servidas a 1 grau centígrado em copos enormes (as “pints”) que tem quase 600 mL – em um copo! E a cerveja é maravilhosa até o seu último gole.

E não pense que a “sua” é exceção. Todas as cervejas de produção em massa no Brasil passam pelo mesmo processo e digo mais: muitas cervejas são EXATAMENTE as mesmas. Só trocam o rótulo, e conseqüentemente, a sua marca, posicionamento de mercado (mente do consumidor e sua carteira), estratégias de venda e etc.

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